Arquivos

Entenda como cérebro aprende um novo idioma

O aprendizado de uma nova língua é algo de extrema importância, tanto do ponto de vista do conhecimento quanto de aspectos que englobam o mercado de trabalho e até mesmo a saúde mental de quem fala duas ou mais línguas.

Investir em um curso de inglês completo, por exemplo, faz muita diferença no aprendizado como um todo, principalmente se iniciado na infância. Isso está intrinsecamente associado à forma como o nosso cérebro aprende um novo idioma.

É exatamente sobre isso que vamos nos debruçar hoje. Como o cérebro humano consegue aprender uma língua completamente diferente da língua materna? Confira a seguir.

Analogia entre aprendizado e esqueleto

Para facilitar a nossa compreensão do assunto, vamos utilizar uma analogia entre o esqueleto humano e o aprendizado de um idioma. Essa ideia foi retirada de um artigo publicado no site do Projeto de Ensino de Línguas Estrangeiras do Centro Acadêmico de Ciências Sociais (CACS) da Universidade Federal de Minas Gerais.

No texto, a aluna de doutorado em Lingüística pela Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM) e professora de Espanhol do CACS Línguas, Sara Stradiotto, diz que o aprendizado da língua materna é realizado de modo diferente que as demais línguas estrangeiras.

Enquanto a primeira acontece de maneira mais natural e dentro do núcleo familiar, a segunda demanda esforços maiores, daí a analogia do esqueleto humano. “Ao nascer, o ser humano tem em torno de 350 ossos. Ao longo da vida, alguns desses ossos se juntam, se reduzindo para 206 ossos em um humano adulto”.

Para o bebê, é mais vantajoso ter mais ossos por conta da flexibilidade para caber no ventre materno e também para facilitar o parto — por conseguinte, falta aos bebês resistência para, por exemplo, se manter de pé, algo que só acontece com o passar do tempo. A ideia é que com a língua acontece algo bem parecido.

É por isso também que uma criança em tenra idade tem muito mais facilidade de aprender um novo idioma para além do materno do que um adulto. Essa flexibilidade cerebral permite que o aprendizado se torne mais acessível aos pequenos. Isso não significa, porém, que aprender uma nova língua seja algo restrito às crianças.

Aprender significa reconstruir

Ainda pensando na analogia do esqueleto humano, podemos entender que o aprendizado de uma língua estrangeira funciona como uma espécie de reconstrução de “caminhos” que o nosso cérebro já percorre diariamente para realizar as mais diversas formas de comunicação.

Imagine que seu cérebro entende que determinados sons e significados estão relacionados ao seu idioma materno. Porém, quando ele entra em contato com uma língua nova, ele se vê confuso, pois, afinal de contas, o sentido desses elementos já não é o mesmo que o que ele está acostumado.

É nesse sentido que o aprendizado de um novo idioma pode ser entendido: como uma verdadeira reconstrução, ou, seguindo a analogia do esqueleto, um quebrar de ossos.

Idade e estímulos ajudam no processo

Existem diferentes fatores que predispõem a facilidade no ato de aprender uma nova língua. Há pessoas, inclusive, que tem essa característica como algo naturalmente seu. No entanto, vale destacar que, de modo geral, os principais auxiliares nesse processo são a idade da pessoa e os estímulos que ela recebe.

No caso da idade, como já foi comprovado anteriormente, quanto mais cedo o indivíduo entra em contato com línguas estrangeiras, maiores as chances de ele aprender tais idiomas. Por isso, investir em cursos e aulas de inglês e espanhol, por exemplo, deve ser feito o quanto antes.

 Já em relação aos estímulos, pode-se dizer que o diferencial está no tempo que o cérebro entra em contato com outra língua. Por exemplo, uma pessoa que está em contato com um novo idioma por mais tempo terá mais facilidade de assimilação de sons e significados da outra língua do que aquele que não o faz.